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           “Movimento é vida!”. É o que disse – com seu espanhol de gringo – Brad Pitt no filme “Guerra Mundial Z”. Nesse caso era um conselho para sobreviver a um apocalipse zumbi, mas vale pra outras coisas. De qualquer forma, eu escutaria um conselho dele, afinal, é o cara que já foi o Detetive Mills, já passou sete anos no tibet, fundou o clube da luta, lutou contra nazistas… Resumindo, é o Brad Pitt, e quem sou eu pra discutir com o Brad Pitt?

            Mas não é só para fugir de zumbis que movimento é essencial. Para muitas outras coisas também. Já tentou andar de bicicleta parado? Todo mundo sabe que de bicicleta, se você parar, vai cair. E a aguá? Se deixar parada, dá dengue! Experimenta deixar seu carro, ou sua bicicleta, parado algum tempo pra ver como fica.

            Extrapolando para um pensamento mais filosófico, a própria vida é movimento. Não tem aquela história de que a única coisa constante na vida é a mudança? Pois é, a vida é isso mesmo. É movimento. É mudança. É fluxo. Não dá pra parar! E não sou eu que estou falando, é o Raul. Ele já dizia: “não pense que a cabeça aguenta se você parar, não não não não!”. Bom, até agora temos conselhos de Brad Pitt e Raul Seixas, já é o suficiente para você dar mais valor ao movimento, não é? Mas não vamos parar por aqui.

            Afinal, esse texto não era pra ser sobre movimento do corpo, tipo exercício físico, malhação, puxar ferro e coisa e tal? Até agora já teve zumbi, filosofia, dengue, mas nada de movimento, MOVIMENTO mesmo. Calma que a gente está chegando.

            O nosso corpo PRECISA de movimento (assim como a vida, a bicicleta, o Raul…)! É para isso que ele foi feito, para se mover! Ou você acha que temos mais de duzentas articulações e seiscentos músculos à toa? Temos umas das biomecânicas mais complexas da natureza, somos os melhores “movers” do planeta. Na verdade, nosso cérebro evoluiu não para fazer palavras cruzadas, escrever cartas, resolver equações matemáticas, jogar videogame. Isso tudo foi um bônus.  Nosso cérebro evoluiu para permitir maior complexidade de nossos movimentos.

            Portanto, fomos feitos para nos mexer. Para andar, correr, saltar, braquear, agachar, rolar… Infelizmente, isso são coisas que fazemos cada vez menos. Nem preciso citar as responsabilidades da vida adulta, as horas no escritório sentados em uma cadeira na frente do computador. Até nossas crianças se movem cada vez menos. É cada vez mais comum ver crianças brincando com seus gadgets do que brincando com seus corpos. Estamos indo contra a nossa natureza. Claro que isso vai ter um preço.

            Não existe almoço grátis, não é mesmo? Estamos nos movendo cada vez menos e a fatura já está chegando. Poderia citar as diversas doenças graves associadas a esse estilo de vida, mas vamos nos ater  a algumas outras consequências no nosso corpo. Já ouviu aquele ditado “use it or lose it”? Pois é, é assim com nosso corpo também. Se nós não o usarmos, vamos acabar perdendo.

            E não estou falando da morte não. Essa todos vamos encarar, de um jeito ou de outro. Faz parte do movimento da vida. Estou falando em perder nosso corpo em vida. Dor no joelho, dor nas costas, no pescoço. Não conseguir agachar para pegar algo no chão, para brincar com seu cachorro ou seu filho. Não conseguir sentar no chão no parque, deitar na grama… e a lista continua, com certeza você lembra de mais algum item.

            Nosso corpo é muito esperto, e sinto muito lhe informar, mas você não manda nele. Seria muito fácil né? Nosso corpo vai ficar bom naquilo que fazemos, naquilo que demandamos dele, ou não fazemos. Se passamos o dia todo sentado em uma cadeira, ele vai se preparar pra isso. Vai calcificar as juntas que não mexemos, imobilizar nossas articulações e vamos ter um corpo perfeito para ficar sentados.

            Mas isso é um grande desperdício não é mesmo? Usar uma máquina tão maravilhosa, tão complexa, com tanto potencial, apenas para ficar sentado. Mas a boa notícia é que o corpo pode se adaptar. Podemos reganhar todo (ou quase todo!) esse potencial que todos nós já tivemos um dia. Sim, porque, pelo menos por enquanto, todos nascemos com esse potencial.

            Se voltarmos a usar nosso corpo para o que ele foi feito (se mexer!) ele vai se preparar para voltar a fazer isso! Se você se mexer, seu corpo vai ficar melhor em se mexer! Podemos ganhar de volta aquela mobilidade de criança, ganhar força, potência… Mas para isso, temos que encarar nossas fraquezas, nossas limitações, e, principalmente, todo esse tempo de negligência com nós mesmo para tentar reverter essa situação.

            Se você ainda tem um corpo, ainda dá tempo. Só não vai dar mais tempo depois que você realizar o último movimento da sua vida, o seu último suspiro. Até lá, ainda dá.

Daniel Assis Brito

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