Por que as pessoas treinam corrida quando estão de férias na praia?

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Simplesmente porque não sabem fazer outra coisa.

Calma lá. Eu explico. Este não é um texto contra o treino de corrida, pode acalmar os ânimos. Se você gosta de correr e isso faz bem pro seu cérebro (porque pro corpo os benefícios são tão poucos que não vou nem comentar), então continue.

De fato, muita gente quando está de férias, até mesmo indivíduos sedentários, sente aquela vontade de se mover, de fazer algo com o corpo… e é comum que escolha correr, porque é mais acessível e qualquer um sabe fazer. (Ok, exagerei. Na verdade, até a corrida precisa ser ensinada. Observar pessoas correndo é quase como assistir a um desfile de filme de terror; qualquer profissional sério se corrói por dentro ao ver aquelas marchas que comprometem não só a qualidade da corrida, como também as articulações e a vida útil do corpo).

Mas aquela vontade de fazer algum esporte quando estamos de férias ou viajando não é à toa. Toda pessoa um pouco mais conectada com o corpo em que vive consegue perceber essa premente necessidade de movimento. São diversas as razões para que essa necessidade surja, mas uma delas é simplesmente porque o corpo está descansado. Fora da rotina de trabalho, o nível de cortisol liberado cai de um modo impressionante, e o corpo volta a funcionar com muito mais do potencial que está acostumado no dia a dia.

Fomos feitos para nos mover, de diferentes e complexas maneiras. Muitos de nós não sabemos disso porque nunca demos ao sistema uma chance de usar seu verdadeiro potencial — e quando damos, é por meio da corrida, um movimento repetitivo; acabamos não explorando as infinitas possibilidades dos nossos padrões motores.

Solte uma criança na praia por três horas. Sabe o que acontecerá? Ela vai praticar movimento por três horas. Simples assim. Ela não precisa de ninguém para lhe ensinar o que fazer e muito menos para corrigi-la, pois seu sistema ainda é perfeito — não foi destruído pelas cadeiras onde a obrigamos a ficar sentada por seis horas por dia desde o início da vida escolar.

Mas se, diferente da criança, a pessoa que está na praia não explora suas potencialidades corporais e vai tentar descer uma duna correndo, jogar futebol com o sobrinho, dar uma estrelinha… arrisca-se a acabar torcendo o pé! E em seguida vai botar um rótulo em si mesma: “isso não serve mais para mim. Passei da idade”.  Triste.

O que defendo, aprendo e ensino é que devemos constantemente usar nosso corpo de diferentes e, principalmente, inteligentes maneiras.  Sou praticante do método Ido Portal, que trabalha a transdisciplinaridade do movimento. Nesse método, mantemos uma prática tão diversa quanto longeva, tão embasada na teoria da ciência quanto na prática, tão yin quanto yang. E por que o escolhi? Porque é simplesmente o mais alto nível do que encontrei no mundo em termos de movimento. E também porque não quero apenas correr todas as vezes que for à praia.

Rodrigo Salustiano Lima

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